quarta-feira, 18 de maio de 2022

JOGO

PARTIDA NUM.: 
COMPETIÇÃO: 10º Jogos Pan-Americanos de 1987 (Final) (Épico)

                                              

JOGO: Brasil 120 X 115 EUA
DATA: Domingo, 23 de agosto de 1987
LOCAL: Indianápolis (EUA)
GINÁSIO: Market Square Arena
PÚBLICO: 16 mil espectadores (estimado) 
BRASIL: Guerrinha (2), Marcel (31), Oscar Schmidt (46), Gerson Victalino (12) e Israel (12), Mauri (--), Cadum (8), Paulinho Villas Boas (7), Rolando Ferreira (0) e Pipoka (2). Os jogadores André Stoffel e Silvio Malvesi não entraram na partida
TÉCNICO: Ary Vidal
ASSISTENTE TÉCNICO: José Medalha 
EUA: Keyth Smart (12), Rex Chapman (17), Willie Anderson (16), Danny Manning (14), David Robinson (20),Pooh Richardson (7), Fennis Dembo (3), Jeff Lebo (7), Pervis Ellison (13) e Dean Garrett (4). Ricky Berry (2) e Jerome Lanne (0).
TÉCNICO: Denny Crum
 
OBSERVAÇÃO: O dia 23 de agosto de 1987 foi um desses dias em que nada pareceu fazer sentido. Pelo menos não para o mundo do basquetebol. Pois em um partida histórica o Brasil batia os EUA por 120 x 115 e faturava a Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, jogando em plena Indianápolis. Era a primeira derrota dos EUA em seu território, a primeira vez que uma seleção norte-americana levava mais de 100 pontos.
 
Para poder compreender melhor a dimensão daquela vitória, será preciso recapitular a história: Para o basquete dos EUA o que realmente importava naquela época eram os Jogos Olímpicos, e em 11 edições antes de 1987, ainda que sempre com uma Seleção de Universitários, os norte-americanos tinham 9 Medalhas de Ouro. Tinham perdido a final de 1972 para a União Soviética, numa partida com final controverso, em que os EUA se consideraram tão prejudicados que jamais apareceram para buscar a Medalha de Prata, e não haviam disputado os Jogos de Moscou, em 1980. Para eles, portanto, era como se nunca tivessem perdido, porque para Campeonato Mundial nunca deram muita importância.
 
Já para os Jogos Pan-Americanos, os EUA nunca deram lá muita importância, ainda que em 9 edições até ali, eles houvessem sido campeões em 8. De qualquer forma, por aqueles jogos estarem sendo dentro dos EUA, eles estavam com o melhor time de basquete universitário que tinham naquele momento, o time que jogaria as Olimpíadas de 88. Era impensável cogitar que o Ouro não seria dos EUA. Havia 16 mil torcedores no ginásio, todos imaginavam já saber quem seria o vencedor naquele dia.
 
O mais fantástico desta partida foi a virada brasileira, à base de cestas de três pontos de Oscar e Marcel. O Brasil chegou a ficar 22 pontos atrás no placar, tendo o primeiro tempo terminado 68 x 54 para os EUA. Pra se ter uma ideia o Oscar e Marcel, juntos, somaram 55 pontos só no segundo tempo (fizeram 77 no jogo todo). Dos 55 pontos no 2º tempo, 35 foram de Oscar e 20 de Marcel. No jogo todo, Oscar acertou 7 arremessos de três pontos em 15 tentativas. Marcel acertou 6 em 10 tentativas. Foram 39 pontos naquele jogo convertidos em cestas de 3 destes dois jogadores. Da linha dos três, aquele jogo foi 39 x 6 para o Brasil, e isso fez a diferença e viabilizou essa espetacular e histórica virada.
 
Vale ressaltar que após essa partida o pensamento norte-americano e a história do basquete começaram a mudar. Com essa derrota do PAN de 1987, mais a derrota em 1988 nas Olimpíadas de Seul, onde terminariam com a Medalha de Bronze, os EUA entenderam que não dava mais para mandar os meninos universitários. Assim sendo, após esse dois insucessos, decidiram então brigar para levar os profissionais que atuavam na NBA. Nascia assim o "Dream Team". Com a liberação da Federação Internacional, criou-se então o time dos sonhos com Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird, coroado que foram com a conquista dos Jogos de Barcelona, em 1992.

VÍDEOS:
 
Jogo completo desta final Pan-Americana histórica.
 
13 minutos finais do jogo em reportagem da TV Americana.
 
FOTOS:
 

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